A concussão é uma perturbação da função cerebral causada por traumatismo craniano, geralmente um golpe. Por definição, não há alterações cerebrais estruturais visíveis diretamente ou nos exames de imagem, em comparação a lesões cerebrais mais graves (lesões cerebrais traumáticas).
Estudos internacionais mostram que, nos Estados Unidos, por exemplo, a incidência de concussões pode chegar a mais de 1 milhão de casos anuais. A percepção e, consequentemente, a notificação das concussões aumentaram significativamente nos últimos anos. Esportes nos quais costumam ocorrer colisões em alta velocidade, como futebol americano, rúgbi e futebol, têm as maiores taxas de concussão, mas nenhum esporte, inclusive a torcida, está livre de risco. Estima-se que 19% dos participantes nos esportes de contato tenham lesão concussiva ao longo de uma temporada de jogos.
Lesões repetidas
Ao contrário de outras causas da concussão (acidentes veiculares, quedas), que geralmente são eventos isolados, os esportistas são continuamente expostos ao risco de concussão. Assim, a repetição da lesão é comum. Os atletas são particularmente vulneráveis se a lesão repetida ocorrer antes de se recuperarem totalmente de uma concussão anterior, mas mesmo após a recuperação, os atletas que sofreram uma concussão são mais propensos a sofrer outra concussão em algum momento. Além disso, as concussões repetidas podem ocorrer após impacto menos grave.
Embora a maioria dos atletas com o tempo se recupere inteiramente de uma concussão única, há casos em que eles possam apresentar encefalopatia traumática crônica (ETC, inicialmente descrita nos pugilistas e chamada demência dos pugilistas). Na encefalopatia traumática crônica, os pacientes têm alterações neurodegenerativas estruturais, incluindo atrofia cortical, algo semelhante às alterações encontradas nos pacientes com doença de Alzheimer. Os sintomas podem incluir:
- Problemas de memória;
- Comprometimento do julgamento e da tomada de decisão;
- Alterações da personalidade;
- Parkinsonismo.
Síndrome do segundo impacto
A síndrome do segundo impacto é uma complicação rara, porém, grave, da concussão. Nessa síndrome, ocorre edema cerebral agudo e frequentemente fatal quando há uma segunda concussão antes da recuperação completa de uma concussão prévia. Acredita-se que a congestão vascular leve ao aumento rápido da pressão intracraniana, difícil ou impossível de controlar.
Sinais e sintomas
- Perda de consciência;
- Confusão: parece perplexo ou atordoado, incerto do adversário ou da pontuação, resposta lenta;
- Perda de memória: não conhece os jogos ou a atribuição, não se recorda de eventos antes ou depois da lesão;
- Alterações visuais: tem diplopia e fotofobia;
- Tontura, movimentos desajeitados, equilíbrio prejudicado;
- Cefaleia;
- Náuseas e vômitos;
- Zumbido;
- Anosmia ou ageusia.
Os sintomas pós-concussão são manifestações que podem ocorrer durante alguns dias ou semanas depois da concussão, e incluem:
- Cefaleia crônica;
- Dificuldades de memorização a curto prazo;
- Dificuldade de concentração;
- Fadiga;
- Dificuldade para dormir;
- Alterações da personalidade (irritabilidade, alterações do humor);
- Fotofobia e fonofobia.
Diagnóstico
Atletas com suspeita de concussão devem ser examinados por um médico com experiência na avaliação e no tratamento de concussões. Às vezes, esses médicos permanecem de sobreaviso no local em eventos atléticos de alto nível; do contrário, a equipe no campo deve ser treinada para reconhecer os sintomas de concussão e seguir os protocolos de encaminhamento dos pacientes para avaliação.
As formas de diagnóstico mais conhecidas são:
- Avaliação clínica;
- Às vezes, exame de imagem do sistema nervoso central para excluir lesões mais graves.
Tratamento
Atletas que tiveram algum sinal ou sintoma de concussão não devem voltar a jogar naquele dia e são aconselhados a repousar. Deve-se evitar atividades acadêmicas e laborativas, dirigir veículos motorizados, ingerir álcool e estimulação cerebral excessiva (p. ex., uso de computadores, televisão, vídeo games) e esforço físico durante a recuperação precoce para prevenir prolongamento ou exacerbação dos sintomas.
Os familiares são orientados a prestar atenção aos sinais da deterioração e levar a pessoa para o hospital caso eles ocorram. Esses sinais incluem:
- Diminuição do nível de consciência;
- Deficits neurológicos focais;
- Agravamento da cefaleia;
- Vômitos;
- Deterioração da função mental (parece confuso, não reconhece as pessoas, comporta-se de forma incomum);
- Convulsões.
Voltar às atividades
Normalmente, recomenda-se uma abordagem gradual. Os atletas só devem participar de atividades esportivas depois de estarem completamente assintomáticos e não precisarem de nenhum remédio. A seguir, eles podem começar a fazer exercícios aeróbicos leves e então treinamento específico para o esporte, treinos sem contato, treinamentos com contato total e, por fim, jogos competitivos. Os pacientes que permanecerem assintomáticos em determinado nível podem progredir para o próximo.
Mas, independentemente da rapidez com que melhorem, os pacientes costumam ser orientados a só voltar a jogar em tempo integral quando estão assintomáticos por uma semana. Aqueles que tiveram sintomas graves devem esperar pelo menos um mês.
Atletas que sofreram várias concussões em uma temporada devem ser orientados sobre os riscos e benefícios de continuar suas atividades. Os pais de crianças em idade escolar também devem participar dessas conversas.